No grande Átrio do Castelo Real de Winchester (antiga Inglaterra), está
suspensa na parede a távola redonda do rei Arthur, com seis metros de
diâmetro e o peso de uma tonelada. A távola redonda contém os nomes dos
cavaleiros do rei. A peça central da corte de Artur fora a Távola
Redonda que simbolizava a expansão do poder e da glória por todo o
Mundo. Em termos reais era muito mais do que isso.
Tratava-se de
uma força em prol da harmonia e da fraternidade. Era um antídoto contra a
inveja, a ambição, a ânsia da supremacia e do poder - defeitos humanos
que caracterizavam a mentalidade na Idade Média.

Alguns
pesquisadores asseguram que a távola redonda fora um presente para o
rei Arthur, construída por um carpinteiro da Cornualha e sua forma
redonda teria um fim: evitar disputas pelos leais cavaleiros do rei.
Outro
relato mais conhecido assegura que foi José de Arimatéia o primeiro
guardião do Santo Graal que construiu a távola do Graal para comemorar a
última ceia, com um assento sempre vago para representar o então
traidor Judas Iscariote.
No entanto existem outros relatos que
dizem: que o assento vago na távola redonda do rei Arthur pertencia a
Jesus Cristo e só um cavaleiro capaz de recuperar o Santo Graal, teria o
direito de ocupar este lugar vago.
Segundo alguns escritores a
távola redonda foi construída por um carpinteiro, este era o pai de
Guinevere. A távola foi presente do carpinteiro a Arthur em forma de
dote quando este se casou com Guinevere, e foi Merlin quem escolheu os
cavaleiros para que se sentassem a ela, e então, predisse a busca do
Santo Graal.

A Távola Redonda também, segundo alguns pesquisadores representa o
símbolo cósmico do todo, com o Graal em seu centro místico e os doze
leais cavaleiros representando os signos do zodíaco.
Em 1976, a
távola redonda foi alvo de uma extensiva investigação científica, até
então a távola teria sido datada pelo carbono 14 como existente desde
1463 e provavelmente pintada pelo rei Henrique VIII em 1522.
Agora,
com a tecnologia mais avançada, o método do radiocarbono (carbono 14), e
o estudo da carpintaria prática mais especializada foi revelado que a
távola redonda foi construída em 1270, no início do reinado do rei
Edward. Sabe-se que o rei Edward tinha grande interesse pelas histórias
arturianas e teria ido a Glastonbury junto com sua consorte Lady Eleanor
para celebrarem a Páscoa e ir também na abadia, onde ordenou que
abrissem o túmulo de Arthur.
A Távola Redonda sabe-se, que provavelmente fora usada em muitos torneios que o rei Edward gostava de realizar.
As
lendas arturianas adaptavam-se bem aos ideais das cruzadas e da
cavalaria que despontaram nos séc. XI, XII e XIII. Os cavaleiros de
Artur serviam de modelo a todos os guerreiros como cruzados triunfantes
em busca do Santo Graal, o cálice utilizado por Jesus Cristo na última
ceia.
Mas a crença de que o rei não morreu e regressará com os
seus cavaleiros, a fim de retomar a luta contra os males do mundo
continua viva...
Templo das Estrelas de Glastonbury
O
zodíaco de Glastonbury é um dos muitos reflexos do misterioso e
visionário reino de Arthur, a sua localização exata e de seus domínios -
na verdade, até sua existência - tem sido debatida por historiadores,
arqueólogos e místicos. Idealista com seus bravos e em sua maioria leais
cavaleiros, excalibur, sua rainha Guinevere, a linhagem sagrada e
Avalon tornou-se profundamente arraigada na Bretanha, particularmente no
sudoeste da Inglaterra. A memória coletiva do rei Arthur é tão imensa
na Grã-Bretanha
, que podemos dizer que o sábio e bondoso rei guerreiro ainda permanece
como o herói mais venerado da ilha.
No verão de 1929, na vila de
Somerset, em Glastonbury, katherine Maltwood recebera uma verba para
trabalhar em uma nova versão da tradução de “Le Hault Livre du Graal” (A
Nobre História do Santo Graal), um texto arcaico que descreve a vida do
rei Arthur e seus cavaleiros. O manuscrito original, em latim, teria
sido escrito na abadia de Glastonbury, antigamente considerada como a
igreja mais sagrada da Inglaterra e do túmulo de Arthur. O propósito de
Maltwood, ao visitar Glastonbury, era buscar indícios dos locais onde as
histórias arturianas ocorreram, e usar essas referências para traçar um
mapa.
Vagando pelos campos e ruínas, em Glastonbury e
imediações, Maltwood teve certeza de reconhecer muitos dos lugares
descritos em A Nobre História do Santo Graal. Mas foi também invadida
por uma idéia: aquela paisagem ocultava algo, uma espécie de padrão que
ela não conseguia decifrar. Maltwood prosseguiu seu trabalho,
atormentada pela sensação de que, naqueles campos, havia uma
característica indefinível que a desconcertava.
E então, em uma
noite cálida e enluarada, ela se deteve no alto de uma colina, junto da
vila, olhando para o local no qual, segundo a história, estaria o
castelo do rei Arthur, em Cadbury Hill, uns 18 quilômetros a leste. No
campo abaixo dela, Katherine vislumbrou algo parecido com duas gigantes
efígies formadas na paisagem: uma era a de um leão e a outra a de uma
criatura sentada, de aparência humana. As silhuetas eram sugeridas pela
combinação de colinas, aterros, estradas, antigas marcas de fronteiras e
canais naturais ou construídos. Mais tarde ela descreveu o que vira
para uma pessoa conhecida, que por acaso era astróloga, para quem talvez
as figuras representassem os signos de Leão e Gêmeos.
Maltwood subitamente percebeu que havia descoberto um antigo segredo encerrado na paisagem de Glastonbury.
Imediatamente
ela encomendou mapas e fotografias aéreas,
que lhe permitiram identificar um vasto círculo de imagens colossais, um
anel de mais de 16 quilômetros de diâmetro, no qual ela visualizou
exatamente os doze signos do zodíaco em ordem correta, de Áries a
Peixes. Fora do círculo havia a décima terceira imagem, a de um imenso
cão: Langport, o qual, segundo a cultura celta, vigia a entrada para
Annwn, o secreto mundo das fadas.
Abadia de Glastonbury -
antigamente, considerada a igreja mais sagrada da InglaterraMaltwood
abdicou de sua carreira e dedicou o resto de sua vida ao estudo daquele
zodíaco terrestre. Concluiu que o antigo povo de Somerset havia
embelezado as formas e contornos daquela paisagem natural há cerca de 5
mil anos, para criar aquelas figuras zodiacais; e que, nos últimos
séculos, os monges da abadia de Glastonbury haviam cuidadosa e
secretamente preservado as marcas geográficas que davam forma àquelas
gigantescas figuras.
Embora aparentemente ela não tenha chegado a
saber disto, Katherine não foi a primeira pessoa a ver os gigantes
celestiais estampados na paisagem de Somerset. Cerca de 350 anos antes
dela, John Dee, um homem de muitos talentos que desempenhou papel
importante nos campos da ciência, filosofia, matemática e alquimia,
também fora arrebatado pelas incomuns marcas topográficas de
Glastonbury; e também concluíra, tal como Katherine Maltwood mais tarde,
que os doze signos do zodíaco haviam sido propositalmente estampados na
paisagem por um povo antigo e sábio.
Durante um breve período,
as opiniões de John Deen acerca das questões relacionadas às estrelas
foram de considerável importância, pois ele funcionava como conselheiro
astrológico da rainha Elizabeth I. “Assim, a astrologia e a astronomia
são cuidadosamente unidas e medidas através de uma reconstrução
científica dos céus, revelando-nos que os antigos compreendiam tudo que
agora descobrimos ser verdade”.- escreveu Dee.
Contudo, para
Maltwood, o zodíaco de Glastonbury assumia importância maior do que seu
significado astrológico ou arqueológico. Acredita
ndo que a existência das figuras explicava muitas referências
encontradas nas antigas histórias sobre o rei Arthur, ela escreveu: “Foi
em torno desses gigantes naturais e arcaicos que se acumularam as
histórias arturianas.”
Távola Redonda do Rei Arthur - Uma réplica que se encontra no Castelo de Winchester
Ela
via o zodíaco como a Távola Redonda original: Arthur era Sagitário; Sir
Lancelot, Leão; Guinevere, Virgem; e Merlin, Capricórnio.
Segundo
alguns pesquisadores, a Távola Redonda (Round Table) representava um
símbolo cósmico do todo, com o Graal em seu centro místico e os doze
cavaleiros representando os sígnos do zodíaco.
Em 1935, Maltwood
publicou sua descoberta do zodíaco de Glastonbury sob o título “Um Guia
para o Templo das Estrelas de Glastonbury”, o que causou grande alvoroço
na Inglaterra.
Algumas pessoas sentiram-se tão seduzidas pelo
fato dos símbolos mágicos e sagrados gravados na terra que resolveram
ajudá-la em suas investigações. Maltwood faleceu em 1961; seu trabalho
ainda contava com grandes entusiastas.
A comprovação histórica de
outras monarquias místicas, tais como o fabuloso reino africano de
Ofir, de onde, segundo a Bíblia, o rei Salomão extraía seu ouro, e o
reino poderoso e piedoso do imperador e sacerdote cristão Preste João,
na Ásia, também intriga os pesquisadores. Mas as histórias sobre esses
reinos perdidos, bem como as de Arthur e sua corte real, perduram até os
dias de hoje.
De todos os reinos, nenhum cativou a imaginação do
mundo ocidental como o de Arthur, com a dadivosa terra de Camelot.
Arthur pode ter vencido gigantes cruéis, mas foram suas batalhas contra a
opressão que fizeram as pessoas ansiarem pela volta de um monarca como
ele. Se o céu for inatingível por enquanto, então Camelot ocupará seu
lugar.
A Busca de Camelot
Antes de chegarmos à Camelot,
vamos falar de Tintagel, onde tudo, ou quase tudo começou...Geoffrey de
Monmouth identificou como local de nascimento de Arthur o castelo de
Tintagel, na costa
escarpada da Cornualha, no sudoeste da Inglaterra. Os céticos acusam:
esse castelo foi construído no século XII, muito após o nascimento de
Arthur.
Mas as escavações arqueológicas feitas nos cabos íngremes
nas cercanias das ruínas do castelo revelaram resquícios de construções
de pedra, talvez pertencentes a uma fortaleza de alguma poderosa
família Celta. Fragmentos de cerâmica mediterrânea dos séculos V e VI
encontrados nessas escavações datariam da época de Arthur, contribuindo
assim para endossar a lógica de Geoffrey ao focalizar ali o nascimento
de Arthur.
Duas formações rochosas perto do castelo de Tintagel
receberam do povo da Cornualha os nomes de Trono de Arthur e Xícaras e
Pires de Arthur.
A busca de Camelot, casa e quartel-general de
Arthur e sua fraternidade, centralizou-se em Cadbury Hill, um forte da
Idade do Ferro sobre um platô de 150 metros de altitude, perto da vila
de Somerset (uns 18 quilômetros de distância de onde se localiza o
Templo das Estrelas), em South Cadbury.
A colina nunca sediou um
castelo nos moldes da Idade Média, porém suas antigas fundações revelam a
existência de uma formidável cidadela diversas vezes usada como
fortaleza ao longo dos séculos.
Em suas cercanias corre um
pequeno rio, em cujas margens Arthur teria travado sua última batalha.
Segundo uma teoria alternativa, a batalha de Camlan teria sido travada
perto de Camelford, na Cornualha.

A associação de Cadbury Hill a Camelot remonta a John Leland, um
antiquário do século XVI que passou grande parte da vida pesquisando
histórias arturianas. Em 1542, após uma viagem a South Cadbury, Leland
escreveu: “Bem na extremidade sul da igreja de South-Cadbyri (Cadbury)
ergueu-se Camalat (Camelot), que um dia foi um castelo ou uma cidade de
renome. (...) O povo nada sabe disso, mas ouviu falar que Arthur
freqüentava muito Camalat (Camelot).”
Séculos mais tarde, os
aldeões de South Cadbury deram ao topo da colina o nome de Palácio de
Arthur. No final da década de 1960, os arqueólogos levaram quatro anos
fazendo minuciosas escavações em determinadas áreas de Cadbury Hill, em
busca de provas que vinculassem aquele ermo local ao grande rei Arthur,
em um projeto que denominaram “A busca de Camelot”.

Descobriram que as quatro grandes cristas feitas pelo homem no alto da
colina haviam sido reconstruídas diversas vezes, durante um período de 5
mil anos (exatamente o mesmo tempo em que foram feitas as figuras
zodiacais, chamado Templo das Estrelas de Glastonbury).
No século
I a fortaleza fora assaltada e capturada pelos romanos, sendo
abandonada em seguida. Centenas de anos depois, no tempo de Arthur, os
novos habitantes erigiram diversas construções na parte mais elevada da
colina (O Palácio de Arthur), incluindo um portal em estilo romano e um
grande átrio de madeira.Mas a estrutura mais sofisticada e surpreendente
era um muro construído com madeira e pedra, medindo cerca de 5 metros
de espessura e pouco mais de 1.200 metros de extensão. Tanto o projeto
como a construção do muro seguiam padrões celtas, e não romanos,
sugerindo que fora encomendado por um admirador da arte celta
tradicional.
E como não se descobriu na Bretanha qualquer outra
estrutura do mesmo porte e tipo, os arqueólogos acreditam que deve ter
sido feita por ordem de um governante que dispunha de imensos recursos
em trabalhadores e dinheiro.

Naturalmente, essa descrição condiz com a figura do rei Arthur. “A
conclusão inevitável é que [Cadbury Hill] foi a fortaleza de um grande
líder militar, um homem em posição única, com enormes responsabilidades e
uma mentalidade especial.” - escreveram Leslie Alcock e Geoffrey Ashe,
dois arqueólogos e historiadores envolvidos nas escavações da “Busca de
Camelot”.
O que foi encontrado nas escavações, não poderiam
chamar o proprietário pelo nome de Arthur, porém Alcock e Ashe afirmaram
que a questão do nome “não passava de um detalhe”. O homem que
governava Cadbury Hill (ou seja, Camelot ou Camalat) nessa espetacular
refortificação do século VI, observaram, poderia, mais do que qualquer
outro personagem daquela época, ser identificado com Arthur, “uma pessoa
com grandeza suficiente”.
Menos de 18 quilômetros de distante de
Cadbury Hill situa-se Glastonbury, um lugar sagrado impregnado de
magia, que remonta à era pagã. Ali foi o antigo sítio da etérea ilha de
Avalon, para a qual Arthur fora levado para que seus ferimentos fossem
curados pela fada Morgada. Há muitos séculos ali encerrava-se em uma
ilha, cercada por pântanos que depois foram drenados. Seu antigo nome
celta Ynis Witrin, ou Ilha de Vidro.
Sem dúvida o rei Arthur,
sua távola redonda, seus leais cavaleiros, também sua Avalon, suas
sacerdotisas, fadas como queiram, enfim seu reino nos deixaram muitas
coisas boas que preenchem nossa alma de alguma forma. Curioso, como
tempos remotos nos atingem até os dias de hoje e continuarão atingindo
com suas, nossas origens.
Um dia eu estava pesquisando sobre um
determinado assunto, e me deparei com um site de escoteiros mirins, e
fiquei emocionada da forma com que eles retratam a távola redonda de
Arthur. Todos os dias eles se reúnem em volta de sua própria távola para
discutirem sobre assuntos ligados ao escotismo, suas próximas missões,
enfim uma solidariedade contagiante.

Onde todos são diferentes uns dos outros, ali na távola redonda eram
todos iguais e com um mesmo objetivo. Fiquei tão emocionada, que enviei
uma mensagem elogiando o belo trabalho. Acho que essas são as
verdadeiras provas de que algum dia em tempos antigos, Arthur viveu, e
continua vivendo em nossos corações.
A abadia de Glastonbury e o Túmulo de Arthur
Os
primeiros registros oferecem apenas um perfil de Arthur. Aparentemente,
Arthur teria nascido pelo final do século V. Escassos indícios sugerem
alguns outros fatos que em geral vieram a ser aceitos pelos
historiadores: a família de Arthur descenderia diretamente de uma
linhagem aristocrática de origem celta, intimamente vinculada aos
romanos.
O primeiro livro a esboçar uma visão grandiosa de Arthur
foi Historia Regum Britanniae (História dos Reis da Bretanha),
considerado por alguns historiadores como um dos principais manuscritos
da Idade Média. Concluída em meados de 1136, a História foi escrita por
Geoffrey de Monmouth, clérigo e professor em Oxford. Geoffrey afirmava
ter utilizado como fonte “um certo livro muito antigo em idioma
britânico”. O relato de Geoffrey é provavelmente o ponto culminante de
seiscentos anos de narrativas transmitidas de geração em geração pelos
contadores de histórias ingleses, irlandeses, galeses e franceses.
Segundo
Geoffrey, Merlin o mais famoso mago de todos os tempos fez os arranjos
para que Uther Pendragon encontrasse a duquesa da Cornualha Igraine, ela
engravidou, tendo concebido Arthur.
Arthur teria se tornado rei
aos 15 anos, brandindo uma espada chamada Caliburn (Excalibur nas
versões posteriores), que segundo Marion Zimmer Bradley “seria a espada
sagrada da Ilha de Avalon que fora concedida a Arthur sob juramento de
defender Avalon e fazer com que reinasse a paz entre os mundos com
igualdade de direitos.”
O rei Arthur de posse da espada, não só
expulsou os saxões da Bretanha, mas também conquistou grande parte da
Euro
pa. Conseguindo, nas palavras de Geoffrey, “devolver à Bretanha sua
antiga dignidade” e estabelecer uma grande corte medieval. Mas por fim
foi traído por Mordred, que conspirou com os saxões e declarou-se rei
durante a ausência de Arthur. Após derrotar Mordred em diversas
batalhas, Arthur foi mortalmente ferido e seus leais cavaleiros
carregaram-no até a ilha de Avalon, onde foram recebidos pela fada
Morgana. “Ela deitou o rei sobre um leito dourado em seus aposentos,
descobriu o ferimento com suas nobres mãos e examinou-o longamente.
Finalmente ela disse que só poderia curá-lo se ele permanecesse ali por
um longo período e aceitasse seu tratamento”. Naturalmente, Arthur
aceitou suas condições.
Assim, Geoffrey convalidou a crença
tradicional segundo a qual Arthur não teria morrido em conseqüência dos
ferimentos em batalha, mas continuaria vivendo na sagrada e misteriosa
ilha de Avalon. Dali, segundo dizem, retornará um dia para ajudar o povo
celta a reconquistar a soberania sobre sua terra.
Embora a
tradição assegure que Arthur ainda vive, adormecido na ilha de Avalon
(em Glastonbury onde antigamente era rodeada por pântanos e
possivelmente existira a ilha), outra história descreve como ele pereceu
devido aos ferimentos na batalha de Camlan, tendo sido sepultado em
local desconhecido.
Em um antigo poema galês, A Canção dos
Túmulos, afirma-se que Arthur é o único guerreiro célebre cujo local de
sepultamento não é conhecido. “Trata-se de um mistério para o mundo, o
túmulo de Arthur”, escreveu o poeta; e esse mistério permanece até hoje.
Acreditou-se
que houvesse sido descoberto no final do século XII, quando o rei
Henrique II relatou que, segundo lhe dissera um bardo galês itinerante,
Arthur estava enterrado no cemitério da abadia de Glastonbury, mas não
foram feitas tentativas para localizar o túmulo, até um incêndio
destruir grande parte da abadia, inclusive a velha igreja de taipa, em
1184.
Durante a reconstrução da abadia, o abade ordenou uma busca
para encontrar o túmulo de
Arthur. Ao serem feitas as escavações descobriu-se, a uma profundidade
de 2 metros, uma lápide de pedra e, embaixo dela, uma cruz de chumbo que
exibia a inscrição:
Hic iacet sepultus inclitus rex arturius in
insula avalonia (“Aqui jaz enterrado o célebre rei Arthur na ilha de
Avalon”). Cerca de meio metro abaixo encontrou-se um esquife, construído
com uma tora oca. Dentro dele havia ossos de um homem alto, cujo crânio
fora grotescamente fraturado, levando os pesquisadores a concluírem que
ele fora assassinado com um golpe na cabeça. Havia também ossos menores
e uma madeixa de cabelos dourados, que teriam se desintegrado ao toque.
Os monges concluíram que esses outros restos mortais deveriam pertencer
a Guinevere.
O suposto Túmulo de Arthur na abadia de
GlastonburyOs ossos foram depositados em dois sepulcros cuidadosamente
esculpidos e permaneceram ali entesourados na abadia por quase um
século. Em 1278, na presença do rei Eduardo I, foram novamente
desenterrados. “Lorde Eduardo (...) com sua consorte, Lady Eleanor,
vieram a Glastonbury (...) para celebrar a Páscoa”, escreveu um certo
Adam de Domerham, que assistiu o evento.
“Na terça-feira seguinte
(...) ao entardecer, o senhor rei ordenou que abrissem o túmulo do rei
Arthur. Dentro dele havia dois ataúdes pintados com suas figuras e
brasões; foram encontrados separadamente os ossos do rei, os quais eram
enormes, e os da rainha Guinevere, que conservam maravilhosa beleza”.
“No
dia seguinte o rei recolocou os ossos do rei e da rainha, cada qual em
seu esquife, após ordenar que os envolvessem em sedas preciosas. Quando
foram selados os ataúdes, ordenou que fossem colocados diante de um
majestoso altar, para que o povo os venerasse”.
Os ossos lá
permaneceram até o ano de 1539, quando agentes do rei Henrique VIII
invadiram a abadia, assassinaram o abade, saquearam os tesouros e
abandonaram a igreja em ruínas. Um dos objetos que se perdeu durante o
assalto foi a cruz que servira um dia de marca para a sepultura de
Arthur. Os restos
mortais de Arthur e Guinevere foram levados para outros lugares até,
finalmente, desapareceram.
Abadia de Glastonbury - suposto túmulo de Arthur.


Abadia de Glastonbury - descobertos dormitório, refeitório e cozinha dos
mongesA precisão de Bond para determinar os lugares que deviam ser
escavados era fenomenal.
Uma de suas principais tarefas era
encontrar a desaparecida capela de Edgard, erigida pouco antes de a
abadia ter sido destruída pelos vândalos de Henrique VIII. Bond insistiu
para que procurassem a capela na extremidade leste da abadia, um sítio
que os outros peritos consideravam pouco indicado para um santuário tão
importante.
Ele até previu o comprimento de 180 metros.
Os escavadores encontraram a capela exatamente onde ele dissera que estaria - com o preciso comprimento de 180 metros.
antigos
moradores de Glastonbury, há muito falecidos. Entre eles figuravam
monges, cavaleiros, um fabricante de relógios, um mestre pedreiro e um
vaqueiro.
Durante quase uma década, Bond atribuiu publicamente
seus sucessos na abadia de Glastonbury a seu instinto e sorte. Então, em
1918, publicou um livro intitulado O Portal da Lembrança, no qual
revelava o que afirmava ser a verdadeira história por trás de suas
escavações. Declarou que seu sucesso fora possível graças à comunicação
com espíritos de mais de vinte
Para estabelecer a comunicação com
os mortos, Bond contara com a ajuda de um amigo espírita, John Alleyne
Bartlett, que era médium e capaz de receber mensagens escritas dos
espíritos através de uma prática conhecida como psicografia. Ele
afirmava que sua mão deslizava pela página sem qualquer esforço mental,
pois o lápis era conduzido por outra inteligência que não a sua. Bond
fazia as perguntas e Bartlett escrevia respostas muitas vezes
enigmáticas, reunindo páginas e páginas de comentários, esquemas e casos
contados pela Companhia de Avalon, como supostamente se chamava aquele
grupo de espíritos.
Bond afirmava ter sido Gulielmus Monachus, ou
William, o Monge, um dos mais antigos cérigos da abadia, que o levara
primeiramente ao sítio da capela de E
dgard. William teria revelado também o conteúdo de um túmulo misterioso
no lado sul da nave da abadia, no qual foi descoberto um esqueleto com o
crânio de outro homem depositado entre os joelhos. Segundo William, os
restos mortais pertenciam a Radulphus Cancellarius, ou Radulphus, o
Tesoureiro. “Antes de morrer, ele pedira àqueles que o amavam para
enterrà-lo do lado de fora da igreja, pois queria alimentar os
pássaros”, disse o espírito de William a Bond.
“O sol realmente
brilhou ali, como ele gostava, pois seu sangue estava frio”. Embora os
familiares de Radulphus não soubessem, acrescentou William, o esqueleto
de um homem a quem Radulphus matara há muitos anos havia sido enterrado
exatamente no mesmo local. Assim, os ossos de dois inimigos mortais
terminaram repousando em um só túmulo.
Nem todas as histórias
relatadas pelos espíritos da abadia eram assim tão macabras. Além de
fornecerem detalhes acerca das construções de Glastonbury, às vezes
revelavam segredos íntimos. Poderíamos até citar mais alguns, como o
romance de um monge; mas seria por pura curiosidade, e o texto iria se
prolongar demais.
Enfim, a publicação do livro de Bond causou
bastante furor. As autoridades eclesiásticas (como sempre, não poderia
deixar de ser) consideraram-se ultrajadas com a revelação de que o
arquiteto teria usado práticas espíritas durante a escavação da abadia e
imediatamente nomearam um novo supervisor para o projeto. Em 1921 Bond
havia sido rebaixado, sendo incumbido de catalogar e limpar os artefatos
de suas descobertas anteriores. Um ano depois, foi demitido e banido
dos trabalhos na abadia, arruinando sua carreira. A igreja mandou
suspender a escavação e algumas paredes das fundações desenterradas por
Bond foram removidas ou cobertas de grama.

Bond viveu mais 23 anos, escrevendo diversos livros sobre a Companhia de
Avalon e outros fenômenos paranormais. Morreu em 1945, pobre e
desiludido.
Esses e muitos outros mistérios estão ali, enterrados
na antiga abadia de Glastonbury; seria como Marion Zimmer Bradley
(escritora de As Brumas de Avalon) cita em um dos trechos em que:
Morgana fala...
E agora que este mundo está mudado, é preciso
contar as coisas antes que os sacerdotes do Cristo Branco espalhem por
toda parte os seus santos e lendas.
Pois, como disse, o próprio mundo mudou.
Houve
tempo em que um viajante se tivesse disposição e conhecesse apenas uns
poucos segredos, poderia levar sua barca para fora, penetrar no mar do
Verão e chegar não ao Glastonbury dos monges, mas à ilha sagrada de
Avalon: isso porque, em tal época, os portões entre os mundos vagavam
nas brumas, e estavam abertos, um após o outro, ao capricho e desejo dos
viajantes. Esse é o grande segredo, conhecido de todos os homens cultos
de nossa época: pelo pensamento criamos o mundo que nos cerca, novo a
cada dia.
E agora os padres, acreditando que isso interfere no
poder do seu Deus, que criou o mundo de uma vez por todas, para ser
imutável, fecharam os portões (que nunca foram portões, exceto na mente
dos homens), e os caminhos só levam à ilha dos padres, que eles
protegeram com o som dos sinos de suas igrejas, afastando todos os
pensamentos de um outro mundo que viva nas trevas. Na verdade, dizem
eles, se aquele mundo algum dia existiu, era propriedade de Satã, e a
porta do inferno, se não o próprio inferno. Não sei o que o Deus deles
pode ter criado ou não. Apesar das historias contadas, nunca soube muito
sobre seus padres e jamais usei o negro de uma de suas monjas-escravas.
Pois sempre usei as roupas negras da Grande Mãe em seu disfarce de
maga, não os desiludiu.
A verdade tem muitas faces e assemelha-se
à velha estrada que conduz a Avalon: o lugar para onde o caminho nos
levará
depende da nossa própria vontade e de nossos pensamentos, e, talvez, no
fim, chegaremos ou à sagrada ilha da eternidade, ou aos padres, com seus
sinos, sua morte, seu Satã e Inferno e danação...Mas talvez eu seja
injusta com eles. Até mesmo a Senhora do Lago, que odiava a batina do
padre tanto quanto teria odiado a serpente venenosa, e com boas razões,
censurou-me certa vez por falar mal do deus deles.
“Todos os
deuses são um deus”, “e todas as deusas são uma deusa, e há apenas um
iniciador. E cada homem a sua verdade, e Deus com ela”.
Awen
FONTE: Mistérios Antigos misteriosantigos.com
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